O terminal de pagamento eletrônico, mais conhecido como máquina de cartão, é uma das ferramentas tecnológicas mais utilizadas. À frente dele em popularidade, só os os celulares e computadores.

Mas, você sabe como ele surgiu? Veja a seguir a história do terminal de pagamento eletrônico, como ele evoluiu, e o que vem por aí:

Evolução dos Cartões e Terminais de Pagamento

Evolução dos Cartões e Terminais de Pagamento

A invenção do cartão bancário

O terminal de pagamento eletrônico deve sua existência sobretudo à generalização do cartão bancário como meio de pagamento.

Os primeiros cartões bancários, Diners Club e American Express, apareceram nos Estados Unidos na década de 50.

Com estes, o vendedor passou a poder comunicar-se tanto com o banco do cliente quanto com seu próprio banco. Ou seja, tornou-se possível realizar uma transação remotamente sem o uso de dinheiro.

Ilustração do cartão de crédito Diners Club de 1957

Cartão de crédito Diners Club (1957). Fonte: Smithsonian Inst.

No Brasil, o primeiro cartão chegou em 1956 e era de bandeira Diners Club. Na época, ele era usado apenas como um cartão de débito e não como cartão de crédito, sendo aceito somente em alguns restaurantes.

Alguns anos depois, em 1968, foi lançado o primeiro cartão de crédito de banco: o Elo, do banco Bradesco. Mas, foi apenas em 1977, que cada banco passou a emitir seu próprio cartão.

Também, nos anos 70, chegaram ao Brasil os cartões emitidos por lojas, chamados de “private label”.

A primeira máquina de cartão

Os primeiros cartões bancários eram cartões com gravação em relevo. As informações contidas neles incluíam o nome e endereço do titular do cartão e um número de identificação único, permitindo a identificação da conta associada.

Ilustração do primeiro leitor de cartão manual comercializado no Brasil e do primeiro cartão de crédito brasileiro

Primeiro leitor manual comercializado no Brasil (1972). Fonte: Arquivo Bradesco

Os cartões eram “lidos” por um terminal de pagamento não eletrônico, que não dependia de internet – esta ainda nem existia. A informação em relevo no cartão era impressa em um recibo com papel carbono, e este era assinado pelo cliente e enviado aos bancos.

A chegada do terminal de pagamento eletrônico

Em 1971, uma faixa magnética foi adicionada aos cartões bancários e o sistema de pagamento com cartão tornou-se “eletrônico”.

Essa faixa foi inventada por um engenheiro da IBM, e a invenção tornou-se viável graças à IBM 360, o sistema da IBM que possibilitava a configuração independente de periféricos externos, como hardware e impressoras, por exemplo.

Ilustração do primeiro cartão de tarja magnética da IBM

Cartão magnético com a logo IBM 360

Nesta faixa magnética havia as informações necessárias para validar o pagamento:

  • Nome do titular do cartão

  • Código do cartão

  • Informações sobre autorizações

  • Data de validade do cartão

Para ler esses cartões magnéticos, apareceram os primeiros terminais de pagamento eletrônico. Essa tecnologia possibilitou, gradualmente, a realização de transações seguras, controle de saldo da conta do cliente, e a aceitação ou recusa de uma transação.

Ilustração do terminal Verifone Zon

Jon Jr versão XL (1984), o primeiro terminal Verifone com verificação de autorização

Em 1973, o primeiro sistema de autorização de transações eletrônicas foi criado nos Estados Unidos – este ligava os comerciantes ao centro de dados da Visa, na Califórnia.

Foi necessário, entretanto, esperar pela década de 80 para ver a disseminação do terminal de pagamento eletrônico com o reinado das bandeiras Visa e Mastercard.

Com o sistema de tarja magnética, a transação já era eletrônica. Porém, a autenticação por assinatura de um recibo emitido pelo lojista ainda era necessária no final da transação, após o cartão ser deslizado no terminal.

O chip, uma revolução francesa

Em 1975, o inventor francês Roland Moreno registrou a patente do cartão de chip, também chamado de SmartCard.

Usado pela primeira vez em cartões telefônicos, este microprocessador revolucionário tornou-se amplamente difundido nos cartões bancários em 1985. Sua implementação em todos os cartões de débito tornou-se obrigatória na França a partir de 1992.

Ilustração do cartão com chip de Roland Moreno de 1975

Protótipo do cartão com chip de Roland Moreno (1975)

O cartão com chip é capaz de armazenar uma grande quantidade de informações e de se comunicar em tempo real com o banco do cliente para validar ou não a autorização da transação.

Ele também oferece uma segurança muito maior do que o sistema de cartão de tarja magnética, que podia ser facilmente clonado.

No entanto, foi necessário esperar até 2015 para que esse sistema chegasse aos Estados Unidos.

O primeiro terminal de pagamento eletrônico brasileiro

Em 1995, chegaram ao Brasil a Visanet e a Redecard. A primeira foi resultado de uma parceria entre os bancos Bradesco, Banco do Brasil, Banco Nacional e Banco Real. Já a segunda foi criada em conjunto pelo Citibank, Itaú e Unibanco.

Estas adquirentes aceitavam pagamentos em lojas físicas com cartão de tarja e chip por meio de máquina de cartão ou em lojas online.

Nessa época, as máquinas de cartão já continham um teclado que permitia a entrada do código PIN, a senha secreta de quatro dígitos que fortalece a segurança do cartão de chip.

Maquinão iZettle ao lado de celular mostrando galeria de fotos

Maquinão iZettle, maquininha de cartão para celular pioneira

Porém, inicialmente, a Visanet aceitava apenas cartões Visa. E, a Redecard, aceitava pagamentos apenas com cartões Mastercard. E elas tinham exclusividade sobre essas bandeiras.

Isso dificultava a vida dos lojistas, que precisavam ter as duas máquinas para poder aceitar ambas as bandeiras. E, também impedia a ascensão de outras empresas no mercado, que não podiam aceitar as principais bandeiras.

Foi só em 2010 que o Banco Central do Brasil quebrou essa exclusividade das bandeiras Visa e Mastercard. Também nesse ano, a Visanet mudou seu nome para Cielo e a Redecard passou a se chamar Rede.

O terminal fixo substitui o terminal RTC

Na França, a primeira solução implementada para transmitir as informações entre o terminal de pagamento eletrônico e o banco do cliente foi baseada na rede analógica (France Telecom). Isso é chamado de sistema RTC: rede telefônica comutada.

Ilustração do Terminal Ingenico Elite

Terminal Ingenico Elite com pinpad (2006)

Nesse caso, o terminal de pagamento eletrônico é conectado e instalado ao lado do caixa de forma fixa.

Para maior conforto no checkout, eles têm um pinpad, que é um pequeno teclado colocado ao alcance do cliente.

Na França, não será mais possível usar a rede analógica RTC em 2021, e todos os terminais fixos terão de fazer uma conexão digital para trocar os seus dados com os bancos.

No Brasil, ambas as opções são utilizadas, especialmente por empresas de maior porte, como supermercados e lojas de departamento.

O terminal fixo substitui o terminal RTC

Na França, a primeira solução implementada para transmitir as informações entre o terminal de pagamento eletrônico e o banco do cliente foi baseada na rede analógica (France Telecom). Isso é chamado de sistema RTC: rede telefônica comutada.

Nesse caso, o terminal de pagamento eletrônico é conectado e instalado ao lado do caixa de forma fixa.

Para maior conforto no checkout, eles têm um pinpad, que é um pequeno teclado colocado ao alcance do cliente.

Ilustração do Terminal Ingenico Elite

Terminal Ingenico Elite com pinpad (2006)

Na França, já não será possível usar a rede analógica RTC em 2021, e todos os terminais fixos terão de fazer uma conexão digital para trocar os seus dados com os bancos.

No Brasil, ambas as opções são utilizadas, especialmente por empresas de maior porte, como supermercados e lojas de departamento.

A maquininha de cartão para celular

Menores, mais leves e mais baratas que os terminais de pagamento móveis tradicionais, as maquininhas de cartão para celular estão se tornando mais populares.

Esses aparelhos pequenos não possuem um cartão SIM, sendo conectados via Bluetooth ou cabo de áudio a um smartphone e associados a um aplicativo específico.

Esses leitores de cartão são particularmente adequados para pessoas que vendem nas ruas e que vendem pouco com cartão, e para quem a compra ou aluguel de uma máquina de cartão móvel tradicional não seria lucrativo.

Desde o seu surgimento no início de 2010, fintechs como iZettle e SumUp comercializam essas maquininhas de cartão para celular. Sem aluguel, elas são mais baratas quando comparadas às máquinas de cartão tradicionais.

O terminal sem fio

Outra evolução tecnológica que mudou os hábitos dos empreendedores e a operação do terminal de pagamento eletrônico foi a chegada de aparelhos que não precisam de celular para funcionar. Isto foi possível graças às tecnologias de telefonia, que tornaram o terminal de pagamento eletrônico verdadeiramente móvel.

Em 1977, a norueguesa Telenor Mobile começou a comercializar este terminal de pagamento sem fio.

Sua chegada permitiu que vendedores aceitassem pagamentos com cartão de crédito em qualquer lugar: nas praias, em um food truck, em feiras.

Máquina de cartão da Telenor Mobile de 1997

Máquina de cartão Telenor Mobile (1997)

Seja usando a conexão Wi-Fi, GPRS, 3G ou 4G, os dados das vendas podem ser enviados e recebidos onde quer que você esteja, desde que você tenha uma máquina de cartão com chip de fábrica.

Ou seja, essas tecnologias já não são mais privilégio de empresas como Ingenico e Verifone.

Fornecedores de máquinas de cartão de baixo custo, como a SumUp e PagSeguro, entraram recentemente no mercado, possibilitando que muitos empresários e comerciantes tivessem acesso à mobilidade.

Itens encontrados na caixa da SumUp Super: máquina, manuais e cabo USB em cima de uma mesa

SumUp Super oferece mobilidade e preço baixo

Por outro lado, há ainda terminais de pagamento eletrônico portáteis que usam Wi-Fi ou Bluetooth e ADSL. Eles não são totalmente móveis, pois só podem ser usados nas instalações dos comerciantes, dentro do alcance da banda larga, por exemplo.

Essa solução foi rapidamente adotada pelos donos de restaurantes para permitir que os clientes pagassem diretamente na mesa, sem que precisassem ir até o caixa do estabelecimento. Muitos terminais de pagamento usam tecnologias Wi-Fi e GPRS/3G, e podem alternar de um para outro.

A inovação do pagamento sem contato

No campo de pagamentos eletrônicos, a chegada do pagamento sem contato foi uma nova revolução, comparada à do cartão com chip.

Primeiro celular Nokia com tecnologia NFC do PagSeguro

PagSeguro NFC foi lançado no Brasil em 2012

O pagamento sem contato é possível graças ao surgimento da tecnologia NFC (em inglês, Near Field Communication), derivada da tecnologia RFID usada em dispositivos antirroubo.

A tecnologia NFC permite que as informações sejam transmitidas para um dispositivo a uma distância máxima de 10 cm.

Assim, basta aproximar o cartão bancário do terminal de pagamento.

Os bancos franceses começaram a equipar os cartões bancários com o sistema NFC em 2010, tendo sido destinado ao pagamento de pequenas quantias (inicialmente, no máximo 20 euros).

No Brasil, esse tipo de pagamento é bastante usado no transporte público, principalmente em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro.

No que diz respeito a pagamentos em lojas com a tecnologia NFC, muitos brasileiros ainda desconhecem ou desconfiam desta opção. No entanto, ela foi introduzida no mercado nacional em 2012, com o PagSeguro Mobile NFC (na época, disponível apenas para celulares Nokia).

O Banco do Brasil aderiu ao NFC em 2014, em uma parceria com a Oi e a Visa.

Moderninha Pro NFC

Pagamento por NFC funciona aproximando celular ou cartão da máquina

Todas as máquinas de cartão equipadas com NFC podem aceitar pagamentos sem contato. Isso significa poder fazer compras com Apple Pay, Google Pay, Samsung Pay, e todos os sistemas que usam NFC para pagamentos (pulseiras, anéis, chip subcutâneo).

A inovação do pagamento sem contato

No campo de pagamentos eletrônicos, a chegada do pagamento sem contato foi uma nova revolução, comparada à do cartão com chip.

O pagamento sem contato é possível graças ao surgimento da tecnologia NFC (em inglês, Near Field Communication), derivada da tecnologia RFID usada em dispositivos antirroubo.

A tecnologia NFC permite que as informações sejam transmitidas para um dispositivo a uma distância máxima de 10 cm. Assim, basta aproximar o cartão bancário do terminal de pagamento.

Primeiro celular Nokia com tecnologia NFC do PagSeguro

PagSeguro NFC foi lançado no Brasil em 2012

Os bancos franceses começaram a equipar os cartões bancários com o sistema NFC em 2010, tendo sido destinado ao pagamento de pequenas quantias (inicialmente, no máximo 20 euros).

No Brasil, esse tipo de pagamento é bastante usado no transporte público, principalmente em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro.

No que diz respeito a pagamentos em lojas com a tecnologia NFC, muitos brasileiros ainda desconhecem ou desconfiam desta opção. No entanto, ela foi introduzida no mercado nacional em 2012, com o PagSeguro Mobile NFC (na época, disponível para celulares Nokia).

Moderninha Pro NFC

Pagamento por NFC funciona aproximando celular ou cartão da máquina

O Banco do Brasil aderiu ao NFC em  2014, em uma parceria com a Oi e a Visa.

Todas as máquinas de cartão equipadas com NFC podem aceitar pagamentos sem contato. Isso significa poder fazer compras com Apple Pay, Google Pay, Samsung Pay, e todos os sistemas que usam NFC para pagamentos (pulseiras, anéis, chip subcutâneo).

Máquina de cartão com Pin on Glass

Pin on Glass é a nova tecnologia que está chegando às máquinas de cartão. Esta, nada mais é do que a digitação da senha do cartão de crédito ou débito direto na tela do dispositivo, em vez de em um teclado físico.

Esta tela touchscreen pode ser de um tablet, celular ou máquina de cartão.

Smart Rede em dois ângulos diferentes com cartão inserido

Smart Rede é um dos modelos de máquina de cartão Pin on Glass

Ou seja, esta tecnologia pode ser usada de duas maneiras: com um aparelho físico, como máquinas de cartão smartPOS que funcionam com sistema Android; ou com um aplicativo para celulares e tablets.

Saiba mais sobre Pin on Glass.

Terminal de pagamento eletrônico biométrico

Além da senha e da antiga assinatura, agora é possível também usar dados biométricos para autenticar o usuário no momento do pagamento. Um dos modelos mais recentes da Ingenico, o Move 2500B, por exemplo, é capaz de reconhecer impressões digitais.

Com este sistema, o usuário coloca o dedo indicador em um leitor de impressões digitais integrado ao terminal de pagamento eletrônico. E isso aumenta significativamente a segurança da transação, podendo até mesmo substituir o cartão bancário no futuro.

Um futuro sem contato e suporte múltiplo

Celulares, relógios, anéis, impressões digitais, até mesmo chips subcutâneos… os meios de pagamento e os terminais de pagamento eletrônico estão evoluindo.

O pagamento móvel, sem contato e múltiplo suporte parece ser o futuro do pagamento eletrônico, à medida que o caixa tende a ser usado cada vez menos, mesmo no pagamento de pequenas quantias.