Segundo a 42a. edição da pesquisa Webshoppers, da Ebit/Nielsen, 78% do faturamento do e-commerce brasileiro acontece em marketplaces. Isso representou cerca de R$ 30 bilhões somente nos 6 primeiros meses de 2020.

Por aqui, esse mercado tem entre seus líderes o Mercado LIvre, empresa sediada na Argentina, mas que já faz parte do cotidiano brasileiro há cerca de 20 anos.

Nem mesmo a pandemia parece ter afetado a sua expansão, mas até quando o Mercado Livre conseguirá segurar seu lugar entre fortes concorrentes nacionais e frente a constante pressão criada pela Amazon?

Pandemia trouxe bons resultados

Primeiramente, é importante observar que a empresa está em uma boa situação nesse momento. Assim como é verdade para outras empresas e segmentos e-commerce, a pandemia trouxe bons resultados para o Mercado Livre.

Isso é comprovando pelos dados recém-divulgados no relatório de segundo trimestre 2020 da empresa (dados referentes a toda América Latina na comparação com o segundo trimestre de 2019):

  • O número de usuários cresceu 45,2%, sendo agora 51,5 milhões

  • O volume bruto de vendas atingiu US$ 5 bilhões (R$27 bilhões), um aumento de 48,5% em dólar

  • O volume de itens vendidos cresceu 101,4% atingindo quase 180 milhões

  • As vendas por dispositivos móveis (celulares e tablets) cresceram 272,8%, representando 69,4% do volume total

Segundo a empresa, o Brasil representa  mais da metade (53%) da sua receita líquida total. E isso representou  um faturamento bruto de US$465,3 milhões (R$2,5 bilhões) – um crescimento de 87,4% considerando-se a conversão para a moeda brasileira.

Mercado Livre nasceu em universidade

Outro ponto importante a considerar é a trajetória da empresa. Assim como muitas outras empresas digitais, o Mercado Livre nasceu dentro de uma universidade. Um de seus fundadores e atual CEO, Marcos Galperin, criou o plano de negócios enquanto fazia seu MBA na Universidade Stanford em 1999.

Mercado Livre tem centro de distribuição no Brasil

Logo conseguiu investimento de capital e, apenas dois anos depois, firmou uma parceria com o eBay. Esta durou cinco anos e garantiu a consolidação do empreendimento, o qual foi otimizado para o comércio eletrônico via celulares e tablets. Desde 2007, a empresa está listada na NASDAQ.

Hoje, o Mercado Livre está presente em 18 países, e conta com diversas empresas que complementam as suas atividades: Mercado Envios, responsável por operações de frete e entrega; Mercado Pago, a cargo das operações de pagamento – saiba mais sobre o Mercado Pago; Mercado Livre Veículos, Imóveis e Serviços; Mercado Livre Publicidade; e a plataforma de loja virtual Mercado Shops.

Ainda assim, a empresa continua a fazer parcerias. A mais recente foi fechada com o PayPal, e permitiu oferecer esse meio de pagamento no Mercado Livre.

Mercado Livre ainda tem muitos desafios no Brasil

Apesar de sua importância no comércio eletrônico latino-americano, o Mercado Livre não domina o mercado brasileiro – ainda que esse represente mais da metade de suas operações.

B2W (Submarino, Americanas e ShopTime), Cnova (Pontofrio e Casas Bahia) e Netshoes são algumas das empresas nacionais fortes no comércio virtual, muitas destas contando também com lojas físicas – o que amplia a confiança em um país em que comprar pela internet ainda é algo novo. Alibaba e OLX também contam com boas fatias do mercado brasileiro.

Em seu favor, Mercado Livre tem procurado manter um relacionamento próximo e saudável para os seus vendedores. O custo para anunciar é zero (você paga taxa apenas pelo que vender) e o vendedor conta com toda a infraestrutura necessária para vender , negociar e entregar seus produtos.

E a Amazon?

Até o momento, o Brasil não tem a Amazon como marketplace preferido, como acontece em outros países. E a principal causa é logística. A empresa americana conta apenas com poucos centros de distribuição, a maioria destes localizada em São Paulo. Isso limita o número de produtos listados e a capacidade de atendimento da Amazon Brasil.

A capilaridade do Mercado Livre também é limitada, mas conta com diversas parcerias, sem falar nas suas décadas de experiência lidando com o turbulento e burocrático mercado latino-americano. Seus principais concorrentes também contam com operações bem melhor preparadas.

Equipe Amazon Brasil em formação da logo da empresa

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Ciente disso, a Amazon vem tentando se firmar segmentos que o Mercado Livre não domina, como a venda de livros e e-books. Têm apostado também na venda de produtos ligados à sua assistente virtual Alexa e nos seus serviços de streaming, Prime Video.

Mas, isso não significa que a Amazon Brasil deixou seus planos de crescimento de lado. Apenas alguns dias trás, em 3 de setembro, a empresa anunciou a abertura de mais um centro de distribuição. Este será o maior dentro os cinco agora existentes , com mais de 100 mil metros quadrados.

Mercado Livre promete investir pesado no Brasil

Diante de tantos desafios, Mercado Livre não tem outra alternativa a não ser continuar investindo para se manter entre os líderes. Segundo a empresa, um plano de investimento de R$4 bilhões deve ser implantado no Brasil até o final de 2020.

Parte dele tornou-se realidade em junho, com a abertura do primeiro centro de distribuição fora de São Paulo, desta vez no estado da Bahia. Este terá 35 mil metros quadrados e capacidade de atender até 100 mil clientes por dia.

A novidade foi lançada juntamente com um programa social, que está treinando 120 jovens de comunidades carentes para uma possível oferta de emprego no centro.

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