Lançado em agosto/2021, o mais novo Relatório Setores do E-commerce no Brasil indica um crescimento do tráfego em marketplaces no Brasil. Segundo a pesquisa, o número de acessos nesse setor aumentou de 741,17 milhões, em junho, para 759,95 milhões, em julho de 2021. Esse aumento, de 2,54%, vem após um crescimento de 0,69% entre maio e junho.

Os números  indicam que o setor pode ter iniciado uma recuperação sustentável após três meses de quedas no tráfego e de um período de instabilidade ao longo do último ano. Mas essa não é a única conclusão que podemos tirar da pesquisa da Conversion. Neste artigo, comentamos outros aspectos interessantes identificados no relatório.

Metodologia

O Relatório Setores do E-commerce no Brasil é atualizado mensalmente pela Conversion e traz análises setoriais relativas a 18 categorias. São analisados, individualmente, os dados relativos a 586 sites distribuídos pelas diferentes categorias. Cada categoria inclui pelo menos 15 sites. Conforme a Conversion, são considerados apenas sites “predominantemente transacionais”, ou seja, com foco na venda de produtos.

Os dados são obtidos por meio das ferramentas SimilarWeb e SEMRush e dizem respeito apenas a acessos a partir do Brasil. As informações são recolhidas sempre no início de cada mês. Para entrar na pesquisa, um site deve ter pelo menos 1 milhão de acessos/mês.  A Conversion diz reavaliar trimestralmente a amostra para identificar sites que possam entrar no estudo.

Marketplaces representam 44% dos acessos a e-commerce

Os marketplaces, como Mercado Livre e Amazon, correspondem a uma parcela significativa (44%) dos acessos em geral a sites de e-commerce. Essa informação demonstra a importância dos marketplaces para o comércio online, com as diferentes plataformas tornando-se, aos poucos, o destino preferencial de muitas pessoas.

Apesar disso, entre julho de 2020 e julho de 2021, os marketplaces perderam em market share, passando de 50% a 44% do total de acessos. Isso reflete, em grande medida, a diminuição absoluta do tráfego nesse segmento, ao longo da pandemia. Afinal, mesmo com a recuperação nos últimos dois meses, o número de acessos em marketplaces segue mais de 15% abaixo do registrado há um ano.

741,17 milhões

acessos a marketplaces no Brasil em junho 2021

759,95 milhões

acessos a marketplaces no Brasil em julho 2021

2,54%

crescimento no tráfego a marketplaces entre maio e junho de 2021

Além disso, a perda de market share também tem relação com o crescimento de outros setores, como o de Turismo, que passou a receber 6% do tráfego, contra 4% registrados no ano passado. O mesmo ocorreu com o setor de Educação, Livros & Papelaria, com 4% contra os 3% de um ano atrás.

Nota-se, portanto, que os números ainda sofrem efeitos da pandemia. Em particular, as restrições à circulação afetavam bem mais o consumo de lazer e educação há um ano, no auge da primeira onda da crise sanitária. Ou seja, a avaliação das alterações no market share deve levar em conta essas contingências.

O impacto dos marketplaces estrangeiros

Além das observações já feitas em relação a efeitos da pandemia sobre o market share dos diferentes segmentos de e-commerce, é preciso destacar o crescimento da categoria Importados na pesquisa da Conversion. Entre julho de 2020 e julho de 2021, este segmento passou de 5% a 9% (quase o dobro) do total de visitas dos usuários de e-commerce no Brasil.

Apesar de constituir uma categoria separado da relativa aos marketplaces (confira mais informações sobre a metodologia ao final do artigo), os Importados incluem canais de vendas como o AliExpress. Ou seja, também conta com marketplaces.

4%

crescimento do tráfego da categoria Importados entre julho de 2020 e julho em 2021

16%

crescimento percentual no tráfego do AliExpress entre junho e julho de 2021

42,4%

total de buscas para a Amazon no Brasil em julho de 2021

O AliExpress, aliás, é o principal exemplo da crescente popularidade do mercado asiático no Brasil. No comparativo mensal, entre junho e julho de 2021, o portal chinês atraiu 16% a mais em buscas, segundo os números da Conversion.

Outros marketplaces relevantes na categoria Importados são a Amazon americana, com 42,4% do total de buscas no último mês, e a Shopee, com 25,2%. Com o aumento de 16% no último mês, o AliExpress garantiu o terceiro posto, com 12,9% das buscas.

É importante salientar, no entanto, que esta categoria também inclui lojas virtuais “tradicionais” – ou seja, não são apenas marketplaces. Um destaque, nesse sentido, é a Shein, que atraiu 12,2% das buscas em Importados no último mês.

Mercado Livre domina entre marketplaces

Segundo o Relatório da Conversion, o Mercado Livre concentra cerca de um terço (33,3%) do tráfego em marketplaces. Com isso, comprova que é disparadamente o site mais popular do gênero.

As Lojas Americanas estão distantes em segundo lugar, com 14% dos acessos. Em seguida, Amazon, Magazine Luiza e Casas Bahia disputam o último posto no pódio. Elas têm, respectivamente, 11,5%, 11,4% e 10,4% do total de acessos em marketplaces.

Tráfego em Marketplaces (Julho/2021)

* Fonte: Conversion

Outros sites representam pouco menos de 20% do share of traffic nesta categoria. Essa fatia abarca 30 marketplaces pesquisados pela Conversion (dos 35 que foram analisados, no total).

Exemplos disso são o Submarino e o Shoptime, que pertencem à B2W, assim como o site das Americanas. Há também o caso da Ponto Frio e do Extra, pertencentes à Via Varejo (mesma empresa do site das Casas Bahia).

Se levarmos em conta que esses marketplaces pertencem a empresas em comum, notamos uma concentração ainda maior nesse segmento, com mais de 90% do tráfego dirigido a canais de cinco grupos diferentes.

Crescimento da Havan: o que mostra a análise de buscas

Além da análise do número de acessos a cada site, o estudo da Conversion inclui um levantamento das buscas realizadas dentro de cada categoria. Ou seja, é analisado o share of search dos diferentes sites dentro de cada segmento.

Os dados, neste caso, refletem não apenas o interesse em comprar nos sites. Eles também demonstram o interesse geral dos usuários pelas marcas, o que inclui, claro, a questão comercial, mas também a busca por notícias. Há inclusive o caso de sites que contam com versões estrangeiras, como a Amazon, cujo share na categoria Importados é de 42,4%.

Mercado Livre na tela de notebook

Mercado Livre domina, mas tem concorrência

Mais uma vez, o Mercado Livre lidera a pesquisa em marketplaces, com 30,6% das buscas nessa categoria. Neste caso, ele é seguido pela Amazon, o que demonstra o forte interesse na marca também na versão nacional. Depois, vêm Magazine Luiza e Americanas, com shares semelhantes aos obtidos na análise de visitas.

No entanto, o destaque é, certamente, a Havan. Ela salta do 12° lugar, na análise de tráfego online, para o 7° lugar, quando avaliada a quantidade de buscas pelo seu nome. Isso certamente reflete o crescimento da marca na mídia brasileira nos últimos anos. Pode ser, inclusive, um reflexo da forte exposição de seu dono, Luciano Hang, no noticiário.

Conclusão

O mais recente Relatório Setores do E-commerce no Brasil reforça pelo menos duas tendências que têm se desenhado há algum tempo.

Por um lado, demonstra a relevância cada vez maior dos marketplaces para o comércio online. Atualmente, eles atraem cerca de metade dos acessos a canais de vendas na internet, se considerarmos também marketplaces estrangeiros, como AliExpress e outros.

Ao mesmo tempo, fica clara a concentração dos acessos em um número reduzido de marketplaces, como o Mercado Livre, a Amazon, a Magazine Luiza e os canais da B2W e Via Varejo. Essa tendência não surpreende, claro, visto que a concentração dos acessos faz parte da natureza do negócio, quando falamos em marketplaces.

Outro ponto que merece atenção é o crescimento dos marketplaces estrangeiros no Brasil, mesmo em um contexto de alta do dólar em relação ao real. Além do AliExpress, um destaque nesse sentido é a Amazon norte-americana.