A expectativa é que já no ano que vem as transações financeiras se transformem de tal forma que as máquinas de cartão comecem a ser substituídas por formas de pagamentos online e em tempo real.

Isso porque o Banco Central do Brasil mira iniciar um novo sistema de transações financeiras no país em 2020: o pagamento instantâneo – inicialmente o lançamento desse novo sistema estava previsto para 2021.

Pagamento com celular via QR Code

Pagamento instantâneo funcionará via QR Code

Mas, para que isso de fato ocorra, o ano de 2019 é crucial para que as diretrizes sejam definidas, já que vários atores do sistema financeiro precisam estar alinhados com a nova prática.

“Para que o sistema seja lançado em 2020, estamos trabalhando na definição de regras de funcionamento do ecossistema e no desenvolvimento da infraestrutura tecnológica necessária à liquidação do ecossistema”, aponta o chefe do Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos (Deban) do BC, Flávio Túlio Vilela.

O que o pagamento instantâneo prevê

Ainda que esteja em fase de regulação, o novo sistema prevê, entre outras inovações:

  • Desburocratização das transações financeiras

  • Diminuição do uso de dinheiro em espécie

  • O fim gradativo das maquininhas de cartão

Isso porque, por meio do pagamento instantâneo, as transações serão realizadas via QR Code, sem a necessidade de intermediações burocráticas ou de custos elevados.

Custo de transações será mais barato

Com o sistema de pagamento instantâneo, a tecnologia aplicada vai permitir que o vendedor receba o pagamento na hora em que a compra for efetuada.

Ou seja, não será mais necessário esperar dias, nem mesmo arcar com custos altos das transações para o recebimento do pagamento.

Os pagamentos instantâneos apresentam alto potencial de acelerar a dinâmica concorrencial na prestação de serviços financeiros.

– Flávio Vilela, chefe do Deban do Banco Central

Por isso, o novo sistema será uma alternativa mais barata especialmente para micro e pequenos empreendedores, em comparação ao uso dos cartões de crédito e de débito, e do dinheiro em espécie.

Além disso, com o pagamento instantâneo, o Banco Central acredita que haverá uma ampliação das instituições financeiras para além dos bancos, como, por exemplo, as fintechs.

Os consumidores também irão tirar proveito do novo sistema. Isso porque, com ele, os pagamentos poderão ser realizados com o simples ato de escanear o código QR, com o auxílio do celular.

O que de fato é uma tendência do cenário atual, não apenas no Brasil, mas como no mundo.

Brasil tem mais de um celular por habitante

De acordo com dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV), há no Brasil 220 milhões de aparelhos celulares para 207,6 milhões de habitantes.

Ao aproveitar esse cenário, a implantação do sistema de pagamentos instantâneos facilitará e incentivará a utilização do celular como meio de pagamento.

Cenário no Brasil

0Milhões
Celulares
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Pessoas

De acordo com Vilela, o novo sistema “entrega ao usuário final o controle da realização de seus pagamentos de forma complementar e, em vários aspectos, mais eficiente que os instrumentos de pagamento atualmente disponíveis.”

Isso porque o modelo em estudo prevê a transferência de dinheiro sem restrição de dia, horário, origem ou destino, em tempo real, 24 horas por dia.

Um grande avanço, considerando o atual sistema de pagamentos no Brasil no qual não há liquidação de transferências financeiras fora do horário comercial, por exemplo.

Veja porque aceitar dinheiro vivo não é a melhor opção.

Já com a implantação do sistema de pagamentos instantâneos, o Banco Central acredita que toda transação deverá ser concluída em, no máximo, 20 segundos.

Para isso, as transações serão centralizadas no Banco Central do Brasil e não estarão mais apenas nas mãos das instituições financeiras.

2019: ano de definições

No fim de 2018, um primeiro grupo de trabalho se reuniu para definir os requisitos básicos para a implantação do sistema de pagamentos instantâneos.

Cerca de 130 instituições, entre associações representativas, instituições bancárias, entidades governamentais, fintechs, marketplaces, consultorias e escritórios de advocacia, participaram das discussões.

Como resultado, algumas diretrizes já estão encaminhadas. Por exemplo, com o sistema de pagamentos instantâneos, as fintechs poderão explorar um mercado promissor.

Com o sistema de pagamento instantâneo, as transações serão centralizadas no Banco Central, e não mais apenas nas mãos das instituições financeiras. 

Já os consumidores farão os pagamentos de forma rápida e barata e os comerciantes irão certamente reduzir seus custos de recebimento.

Dessa forma, de acordo com o Banco Central, já está definido que os pagamentos instantâneos poderão ser utilizados para transferências entre:

  • Pessoas (transações P2P, person to person)

  • Pessoas e estabelecimentos comerciais, incluindo comércio eletrônico (transações P2B, person to business)

  • Estabelecimentos, como pagamentos de fornecedores, por exemplo (transações B2B, business to business)

  • Para transferências envolvendo entes governamentais, como pagamentos de taxas e impostos (transações P2G e B2G, person to government e business to government)

  • Pagamentos de salários e benefícios sociais (transações G2P, government to person) e de convênios e serviços (transações G2B, government to business).

No entanto, os estudos dos grupos de trabalho continuam em 2019. O detalhamento das características básicas do ecossistema, a definição das frentes de trabalho e sua forma de funcionamento, serão realizados até o fim do ano.

Quais as vantagens do novo sistema?

Os benefícios imediatos do sistema de pagamento instantâneo, tanto para empreendedores quanto para os consumidores, será a diminuição de custos e celeridade na transferência de recursos.

O fato é que essa nova modalidade de pagamentos procura tornar as transações financeiras desburocratizadas e imediatas, independente de emissão de papel moeda ou da instituição financeira.

Além disso, o Banco Central aponta três motivos centrais para a implementação do pagamento instantâneo no Brasil:

Uma pesquisa do Banco Central de 2018 mostrou que 96,1% das pessoas preferem usar papel-moeda no dia a dia, o que representa 66% do total de circulação de dinheiro no país.

Mas o elevado uso de dinheiro em espécie para a realização de pagamentos de serviços entre particulares, e transferências entre pessoas físicas, é uma modalidade custosa aos cofres públicos e burocrática para os usuários.

Os preços elevados das tarifas das transações bancárias. Com o novo sistema, as tarifas seriam reduzidas para todos os atores envolvidos na transação.
O alto custo das operações de débito e crédito, com a cobrança de taxas elevadas por operação, também seria reduzido, o que influencia o custo operacional das lojas e fornecedores de serviços e, consequentemente, o preço final para o consumidor.

Qual será o impacto do pagamento instantâneo?

As novas regras divulgadas pelo Banco Central para o sistema de pagamentos instantâneos, além de simplificar a transferência de dinheiro, terão impacto em todo o mercado financeiro.

Isso porque todos os atores precisarão estar alinhados para que a nova tecnologia seja aplicada.

Com estrutura flexível e aberta, o novo sistema de pagamentos busca garantir o acesso e o surgimento de participantes que ofertem serviços inovadores e diferenciados.

No entanto, não se sabe ainda o impacto real que o novo sistema terá sobre serviços como, por exemplo, DOC e TED.

Pagamento Instantâneo

Hoje, esses dois tipos de pagamentos representam uma importante fonte de receita para as instituições financeiras.

O TED, por exemplo, é um tipo de pagamento instantâneo que já existe desde 2012, mas é limitado ao horário das 8h às 17h e conta com um custo de cerca de R$10.

Ainda que o sistema de pagamentos instantâneos não preveja o fim do TED e do DOC, o objetivo é diminuir o uso de dinheiro em espécie e de transferências de menor valor.

Para o e-commerce, a perspectiva é que o sistema de pagamentos instantâneos promova um crescimento dos negócios online, possibilitado pela tecnologia de pagamento imediato.

Pagamentos instantâneos: exemplos de outros países

O sistema de pagamentos instantâneos está começando a se desenvolver no Brasil, mas o fato é que já é adotado em alguns países, como Japão, Índia, Estados Unidos e partes da Europa.

Segundo dados do Conselho Europeu de Pagamentos (EPC), atualmente existem mais de 2 mil fornecedores de serviços de pagamento em 16 países europeus que participam do sistema de pagamentos instantâneos.

Esse número corresponde a 49% dos fornecedores de serviços de pagamento da União Europeia.

E o objetivo do Conselho é que até 34 países adotem o sistema até 2020. Isso porque, segundo a EPC, o sistema de pagamentos instantâneos é uma ótima alternativa à utilização de cheques e dinheiro em espécie.

União Europeia

2 mil

fornecedores de serviços de pagamento instantâneo em

16

países europeus

Holanda

30 milhões

de transações instantâneas desde maio/2019

5s

tempo médio por transação

Na Holanda, por exemplo, o sistema está ativo desde maio de 2019 e, segundo o EPC, já foram processados mais de 30 milhões de transações por meio do sistema de pagamentos instantâneos. Atualmente, são mais de 500 milhões de transações por dia.

Além disso, no caso da Holanda, mais de 99% das transações ocorrem em, no máximo, cinco segundos.

De acordo com o Conselho, o sistema de pagamentos instantâneos “é especialmente conveniente, por exemplo, se um indivíduo precisa urgentemente enviar dinheiro para um parente, ou pagar por um produto ou serviço que requer liquidação no local.”

Ainda segundo o EPC, se, ao contrário, fossem usadas as transferências de crédito regulares, o beneficiário iria ter seu dinheiro na conta em até um dia útil, enquanto que com o novo sistema o processo é em tempo real.

Quer saber o que é QR Code?