Atualmente, a maioria dos empreendedores brasileiros aceita cartões como forma de pagamento, ainda que somente na função débito. Mas ainda é possível encontrar locais com o alerta “não aceitamos cartão de crédito ou débito”.

O motivo para esta recusa é a crença de que é mais caro receber pagamentos por meio de cartões em razão das taxas cobradas pelas operadoras. Veja a seguir porque isso está longe de ser verdade.

Veja os principais motivos

Os motivos pelos quais receber dinheiro pode sair mais caro que aceitar cartão incluem:

  • Nunca foi tão barato aceitar cartões. A intensa competição entre as empresas fornecedoras de maquininhas tem garantido que tanto os encargos quanto os contratos estejam cada vez mais adequados às necessidades dos micro e pequenos negócios.

  • Dinheiro em espécie tem um custo invisível atrelado ao tempo gasto em sua manipulação, roubos, recebimento de notas falsas, além de problemas gerados pela falta de troco.

  • Negócios perdem cerca de 4% de seu faturamento com roubos, notas falsas e falta de troco. Essa é a média global, mas cidades de países emergentes são ainda mais afetadas. Uma pesquisa da consultoria Roubini ThoughtLab estimou uma perda de até 9% nos estabelecimentos comerciais de São Paulo.

Comércio de São Paulo perde até 9% do faturamento com roubos, notas falsas e falta de troco.

Fonte: Roubini ThoughtLab/Visa, 2018

Pagamentos em cartão estão em alta

No Brasil, os pagamentos com cartões de crédito, débito e pré-pagos seguem em alta e devem ultrapassar aqueles realizados em dinheiro, em 2019, de acordo com análise realizada pela consultoria Boanerges & Cia.

Os consumidores que têm acesso aos cartões consideram mais cômodo e seguro fazer suas compras dessa forma, especialmente aquelas de valores mais altos. Segundo pesquisa do Banco Central, 68% das pessoas carregam no máximo R$50,00 na carteira.

Pagamentos com cartões vão superar as compras com dinheiro em 2019.

Fonte: Boanerges & Cia, 2018

Devemos lembrar, no entanto, que o Brasil ainda tem mais de um terço de sua população excluída do sistema bancário. Portanto, ainda é recomendável que os comerciantes ampliem os meios de pagamento aceitos sem recusar as compras em dinheiro.

Aceitar cartões pode aumentar vendas

Os consumidores estão cada vez menos tolerantes com a falta de opções de pagamento. Dizer “desculpe, não aceitamos cartões” pode facilmente representar o fim do seu relacionamento com um cliente.

Isso é especialmente verdade entre os millennials (pessoas que nasceram dos anos 1980 até o início dos anos 2000, também conhecidos como “geração Y”), familiarizados ao meio digital e que, portanto, privilegiam as formas eletrônicas de pagamento.

Consumidores gastam mais quando pagam em cartão do que em dinheiro.

O gasto médio é 16% mais alto no débito e 67% no crédito.

Fonte: Tendências Consultoria/Mastercard, 2018

Além disso, as pessoas preocupam-se menos com o valor gasto quando estão usando seus cartões de débito ou crédito do que quando pagam em dinheiro. Isso significa que elas tendem a gastar mais com os cartões do que com dinheiro em espécie, segundo pesquisa da Tendências Consultoria para a Mastercard.

O valor das transações pode ser, em média, 16% (débito) e 67% (crédito) maior quando comparadas ao dinheiro.

Caso você aceite as duas opções, compare o tíquete médio de cada uma das formas de pagamento. Esta pode ser uma informação valiosa para o seu negócio.

Assaltos são preocupação de quem recebe dinheiro

Muito dinheiro em caixa é sinônimo de preocupação para o comerciante, que fica exposto ao risco de roubos e assaltos. Mais de 40% dos estabelecimentos participantes da mesma pesquisa foram vítimas de assaltos nos últimos 3 anos.

Mais de 40% dos estabelecimentos comerciais já foram assaltados.

Fonte: Tendências Consultoria/Mastercard, 2018

Com menos transações em dinheiro, o empreendedor pode pensar em reduzir seus gastos com segurança e seguro contra roubos. E, claro, tem menos preocupações.

Manuseio de dinheiro vivo pode causar perdas

Para receber pagamentos em dinheiro, você precisa ter um valor significativo em moedas e cédulas para usar como troco. Esta operação esconde um custo difícil de ser calculado, mas que fica visível em dias e horários de maior movimento.

Pequenas lojas e mercados de bairro frequentemente sofrem com a falta de troco no começo do dia, antes de receberem o suficiente para abastecer o caixa. Isso significa que, ou você dará troco a mais ao cliente, ou terá que ir a um estabelecimento vizinho para trocar o dinheiro.

53% dos comerciantes recorrem aos vizinhos para trocar dinheiro.

Fonte: Banco Central do Brasil, 2018

Esta última opção é a saída encontrada por 53% dos comerciantes quando precisam de troco, de acordo com a pesquisa do Banco Central. Mas, se a loja estiver cheia, um funcionário a menos fará falta no atendimento aos clientes. Num caso mais extremo, deixar a loja para conseguir troco pode significar ter que fechá-la até que você retorne.

Há ainda o risco de ser vítima de golpistas, pessoas que tentam te confundir para que você dê um valor mais alto de troco. Em horários de muito movimento não é difícil ficar confuso a respeito do valor recebido de um cliente.

Nota falsa traz prejuízo para o vendedor

Mais grave do que cair no golpe do troco pode ser receber notas falsas. Há diversos itens de segurança que devem ser verificados nas cédulas do real, mas nem todas as pessoas tomam esses cuidados, especialmente se a nota tem um valor abaixo de R$20,00.

Mais de 50% dos comerciantes ouvidos na pesquisa do Banco Central admitiram que nunca verificam a autenticidade das notas de R$10,00. As cédulas de R$20,00 são sempre conferidas por 30% deles, e 27% afirmaram que conferem às vezes.

51% dos comerciantes nunca verificam a autenticidade das notas de R$10.

Fonte: Banco Central do Brasil, 2018

Quanto menor o valor da nota, menor o número de pessoas que se preocupa em verificar os itens de segurança.

Nas transações com cartão existem riscos de estorno, situação que resulta de um questionamento do cliente em relação à compra.

Os estornos ocorrem, na maioria das vezes, quando existem problemas com o processo de pagamento, produto ou serviço, e são pouco frequentes entre os lojistas que prezam por uma boa prestação de serviços.

Contar e depositar dinheiro tem um custo

Quanto tempo você gasta contando e depositando dinheiro em espécie? Este é um custo real que habitualmente é ignorado em análises comparativas, e mais ainda pelos próprios empreendedores.

Tipicamente, os valores em dinheiro são depositados uma ou várias vezes durante a semana, quando o empreendedor ou um funcionário deixa o estabelecimento para ir até uma agência bancária.

Lidar com dinheiro ficou mais difícil com o fechamento de agências bancárias

Você não nota o custo do tempo perdido, mas certamente já notou as taxas cobradas pelos bancos para os depósitos em conta de pessoa jurídica.

Os valores variam de acordo com a instituição bancária, o pacote de serviços contratado, e a quantidade de operações realizadas por mês – conheça a pesquisa sobre o impacto de não receber dinheiro em cidades do mundo.

Já no caso dos cartões, as operadoras cobram uma porcentagem sobre cada transação. Para fazer uma comparação entre as duas modalidades, é preciso saber a quantidade, os valores e as taxas cobradas em cada venda.

A pesquisa de Roubini ToughtLab estimou que as despesas com transporte, segurança e taxas bancárias representam cerca de 3% do faturamento dos estabelecimentos da capital paulista.

Estabelecimentos da cidade de São Paulo gastam 3% do faturamento com transporte do dinheiro, segurança e taxas bancárias.

Fonte: Roubini ThoughtLab/Visa, 2018

Se você faz muitos depósitos em dinheiro, há algo mais que merece sua atenção: o fechamento de agências bancárias em muitas cidades brasileiras. Este é um reflexo da redução do uso do dinheiro em espécie nas transações e do crescimento dos bancos digitais.

Deixar de aceitar dinheiro ou aceitar cartão?

Embora existam desvantagens em aceitar dinheiro, pode ser um equívoco abandoná-lo completamente. Áreas com sinal de internet ruim são melhor atendidas por pagamentos feitos em dinheiro do que por cartões, que dependem das ocasiões de sinal. E não se esqueça do percentual da população que não possui qualquer tipo de cartão.

Os negócios que vão na outra direção – concentrando as operações apenas em cartões – podem estar fazendo isso por qualquer um dos motivos já citados, mas também:

  • Alguns lugares no país não têm mais agências bancárias para depósito, então os comerciantes podem estar sendo forçados a aceitar apenas cartões.

  • Algumas cidades e regiões registram um alto número de assaltos, e os negócios beneficiam-se em não terem dinheiro em caixa.

  • Certas compras, como móveis e eletrodomésticos, são pagas predominantemente por meios eletrônicos.

Se o seu negócio recebe somente dinheiro vivo e você considera que continua valendo a pena mesmo levando os fatores acima em consideração, a curva de crescimento do uso de cartões ainda significa que você está perdendo oportunidades ao recusá-los.

Faça uma pesquisa e você irá descobrir que hoje é mais simples e barato aceitar cartões do que era alguns anos atrás. Aprenda como evitar pagamentos em dinheiro e a incentivar o uso de outras formas de pagamento

Se você quer atrair mais clientes e aumentar seu tíquete médio, a solução pode ser mudar o aviso na sua loja para “aceitamos cartões”.