A melhora gradual na economia brasileira tem levado a uma recuperação da oferta de crédito desde 2018. E essa tendência deverá se intensificar neste ano, segundo expectativas do Banco Central do Brasil (BCB) divulgadas no Relatório de Inflação de março de 2019.

As perspectivas são positivas para pequenas, médias e grandes empresas. Após uma trajetória de queda iniciada em 2016, a oferta de crédito começou a mostrar recuperação em meados de 2018, ainda que em ritmo lento.

A previsão do BCB é de um aumento de 4,1% no saldo de crédito para pessoas jurídicas junto ao Sistema Financeiro Nacional (SFN) em 2019. Apesar de positiva, a estimativa foi revista para baixo ao ser comparada à realizada no trimestre anterior, quando a instituição sugeriu 5% de alta no período. Ou seja, o cenário ainda é de certa instabilidade.

Mudanças devem impactar crédito livre e direcionado

Para o crédito livre – aquele sem destinação específica – projeta-se a expansão de 12% para as empresas. Nesta categoria estão descontos de duplicata, cartão de crédito, Compror (crédito para pagamento de fornecedores) e ACC (antecipação parcial ou total do valor da mercadoria a ser exportada).

No crédito direcionado, modalidade que possui taxas de juros subsidiadas para alguns setores da economia – oferecidas, em grande parte, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – a variação prevista é de -6%. A justificativa para a retração é uma desaceleração no ritmo de redução do estoque de crédito do BNDES.

Ilustração mostrando pessoas andando sobre uma rampa ascendente apoiada em pilhas de moedas

A expansão na oferta de crédito estimula a economia e o aumento do consumo

O Banco Central sustenta sua projeção positiva na perspectiva de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em um cenário de inflação baixa e estável, na manutenção das taxas de juros baixas para os padrões brasileiros e no nível historicamente reduzido do comprometimento de renda das famílias com dívidas contraídas no SFN.

A relativa redução no custo do crédito nos últimos meses também colabora para fazer a roda girar. As pessoas e empresas fazem empréstimos, pagam suas dívidas e contribuem para que as instituições emprestem mais dinheiro.

Crédito começou ano em alta

Os números do 1º trimestre (que na metodologia da instituição se encerrou em fevereiro) indicam, em geral, um caminho de recuperação, alinhado com as expectativas para o ano.

Os problemas gerados pela crise econômica e as dificuldades em lidar com as finanças contribuem com a inadimplência.

Nas operações com recursos livres, as concessões de crédito avançaram 3,2% no segmento de pessoas jurídicas.

Os números contemplam o ajuste sazonal. As concessões com recursos direcionados registraram números ainda melhores, com expansão de 22,4%.

O relatório destaca a continuidade do processo de expansão do financiamento das empresas com recursos de fora do SFN – entre eles os mercados externo e de capitais domésticos. Estas alternativas são mais usuais entre empresas de grande porte e multinacionais.

Inadimplência é risco para pequena empresa

A inadimplência é um fator importante tanto na concessão de crédito quanto na definição das taxas de juros. Se o risco de calote é alto, o custo e a dificuldade de acesso também são.

A taxa de inadimplência das empresas, consideradas as operações com atrasos superiores a 90 dias, atingiu 2,4% no mês de fevereiro, refletindo as taxas de 2,8% e 1,8% nos segmentos de recursos livres e direcionados, respectivamente.

A taxa é considerada baixa, porém o recorte das micro e pequenas empresas é menos favorável.

De acordo com a Serasa Experian, 5,3 milhões de micro e pequenas empresas estavam inadimplentes em dezembro de 2018, representando o segundo maior volume de toda a série histórica.

12%

é a previsão de expansão do crédito livre para as empresas

-6%

é a variação prevista para o crédito direcionado

Além dos problemas gerados pela crise econômica, contribuem para esses resultados as dificuldades que grande parte dos pequenos empresários tem em lidar com as finanças, muitas vezes até misturando as contas pessoais com as do negócio.

Governo tenta incentivar crédito

Ainda que o ritmo de recuperação da economia seja mais lento que o esperado, ele se sustenta na retomada do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), no aumento do consumo das famílias e na elevação da atividade econômica (exceto da indústria), um cenário que favorece a oferta de crédito tanto para pessoas físicas quanto jurídicas.

O cenário favorável é complementado por iniciativas do governo para incentivar a oferta de crédito para pessoas jurídicas, como a lei da Empresa Simples de Crédito e as alterações na legislação sobre o Cadastro Positivo, que afetam também pessoas físicas. O objetivo é impulsionar a retomada do crescimento favorecendo o aumento do consumo.