• Mulher segurando máquina de cartão

Pesquisa Sebrae revela dados sobre uso de máquina de cartão

Por Luciana Damasceno|2019-01-24T10:04:01+00:0023/01/2019|

Que o setor de máquinas de cartão está aquecido, ninguém duvida. Mas quais são os dados e estatísticas sobre isso para que possamos entender melhor o que está acontecendo?

O Sebrae publicou recentemente uma pesquisa sobre o uso da máquina de cartão em pequenos negócios no Brasil que traz muitas informações interessantes sobre o assunto. O estudo comparou dados de 2016 com os de 2018, apresentando a evolução do setor nesse período.

Foram entrevistados 3,2 mil empreendedores em todo o país, entre microempreendedores individuais (MEI), microempresários (ME) e empresas de pequeno porte (EPP), distribuídos entre comércio, serviços e construção civil. Veja os resultados e nossa análise dos dados a seguir.

Cresceu o número de negócios com máquina de cartão

De acordo com a pesquisa do Sebrae, 54% dos entrevistados ainda não possuem máquina de cartão.

Este dado é 12% menor do que em 2016, quando 61% dos empreendedores afirmaram não contar com o aparelho. Só que isto também significa que menos da metade dos empreendedores brasileiros parece ter entendido a importância de ter uma solução para receber cartão de plástico em seu negócio.

A explicação para isso deve-se a diversos fatores. A preferência por outras formas de pagamentos foi apontada pela imensa maioria dos entrevistados (80% dos que não tem máquina).

Percentual de Empresas sem Máquina de Cartão

Não possuía máquina de cartão em 2018: 54%
Não possuía máquina de cartão em 2016: 61%

Fonte: Sebrae

Essa motivação faz bastante sentido desde que a preferência esteja sendo determinada pelo cliente e não pelo vendedor. Se os clientes não costumam pagar com cartão, não há porque ter a máquina. Já se é o empreendedor quem quer forçar o cliente a pagar em dinheiro, cheque, boleto ou transferência bancária, pode ser que ele esteja perdendo vendas com essa atitude.

Altas taxas de transação, bem como baixo volume de vendas, também foram razões mencionadas durante a entrevista para não se ter máquina de cartão. Ambas são coerentes, caso o fluxo de caixa não permita arcar com o custo extra.

Também sobre esse quesito, é interessante notar que a opção “não conhecer os produtos ou empresas que os oferecem” caiu de 44% para 28% em dois anos. Possivelmente, graças às intensas campanhas de marketing capitaneadas pelas empresas fornecedoras de máquina de cartão.

Um terço começou a usar a máquina há 2 anos

Uma das confirmações mais interessantes indicadas por essa pesquisa é o crescimento rápido e recente do número de máquinas de cartões em uso no mercado brasileiro. De acordo com o estudo, 37% das empresas entrevistadas começaram a usar alguma máquina há apenas 2 anos. Isso demonstra um aumento de mais de um terço em um curto período.

Há Quanto Tempo Usa Máquina de Cartão

Fonte: Sebrae

Há Quanto Tempo Usa Máquina de Cartão

Fonte: Sebrae

O tempo médio de uso permanece igual: 4 anos. Além disso, 72% dos entrevistados afirmam ter apenas uma máquina de cartão, um dado que permanece estável em comparação à 2016, quando 70% responderam o mesmo.

Esse resultado difere apenas entre as EPPs, as quais têm 2 aparelhos em média. Mas isso pode ser facilmente explicado pelo número de clientes e faturamento do negócio, ambos maiores que os de uma MEI ou ME.

72% compararam taxas antes de escolher máquina

Sendo taxas um fator decisivo na hora de escolher uma máquina de cartão, é curioso notar que nem todo mundo comparou o quanto vai desembolsar antes de fechar negócio.

72% dos empreendedores afirmaram analisar as taxas e custos envolvidos no uso da máquina de cartão antes de comprá-la, uma percentagem alta. Porém, isso deixa de fora quase um terço dos entrevistados (28%).

Comparou Taxas Antes de Comprar Máquina

2016

2018

Fonte: Sebrae

A boa notícia é que esse número caiu em relação à 2016, quando 33% dos proprietários afirmaram não ter comparado as taxas.

As causas são difíceis de definir, mas fáceis de especular. A maioria das empresas tem taxas fáceis de entender, cobrando apenas pelas vendas realizadas. Mas outras têm mais de um plano, ou cobram taxa de aluguel, de adesão, tarifas fixas, e outros custos extras.

Os cálculos de parcelamentos são feitos de diversas formas, com taxa por parcela ou por mês. As taxas também costumam diferir de acordo com o prazo de recebimento dos saldos.

Por conta disso, é possível que muitos empreendedores não tenham comparado as taxas simplesmente porque não sabem como fazer isso de forma correta. Além disso, é preciso ter clareza sobre a situação financeira do próprio negócio para tomar uma decisão acertada. E nem todo empreendedor iniciante tem a contabilidade em dia, infelizmente.

Número de bandeiras continua sendo fator decisivo

Entre os que compararam taxas e condições antes de comprar a máquina, receber o maior número possível de cartões continua sendo prioridade. Decisão essa que deve ser aplaudida, pois de pouco adianta ter um aparelho se ele não passa o cartão que o cliente tem na carteira.

88% dos entrevistados disseram ter escolhido uma certa máquina por conta da seleção de bandeiras – ou seja, cerca de 9 em cada 10 entrevistados, um dado quase idêntico ao de 2016, quando 87% responderam o mesmo.

Acreditar que a máquina tem a taxa mais barata do mercado foi o segundo fator mais frequente, mencionado por 78% dos entrevistados. Este dado era de 68% em 2016.

Motivos da Escolha da Máquina de Cartão

Fonte: Sebrae

Motivos da Escolha da Máquina de Cartão

Fonte: Sebrae

Em terceiro lugar, também crescendo em importância, aparece a possibilidade de não pagar aluguel. Esta razão foi mencionada por 63% dos entrevistados em 2018, contra 40% dos entrevistados em 2016.

É interessante notar que a indicação de um banco continua a ter mais peso que a de amigos, ainda que tenha caído em importância. 37% afirmaram seguir a proposta do gerente do banco (em 2016, 43% disseram o mesmo), enquanto 30% ouviram a sugestão de um amigo (em 2016, foram 27%).

Qual bandeira de cartão você precisa aceitar?

PagSeguro foi empresa que mais cresceu

Também em relação à 2016, PagSeguro foi a empresa que mais cresceu entre as preferidas dos entrevistados. Ela pulou de 16% para 35% nas respostas.

Já Cielo e Rede, apesar de ainda manterem-se como líderes do setor de máquinas de cartão, perderam a preferência de quase metade do público dessa pesquisa Sebrae.

Entre microempreendedores individuais, PagSeguro foi a escolhida de 54%, enquanto que 53% das EPP preferiram Cielo. Isso demonstra como o porte da empresa pode determinar a decisão.

Empresas Preferidas de Máquinas de Cartão

Fonte: Sebrae

Empresas Preferidas de Máquinas de Cartão

Fonte: Sebrae

Rede e Getnet mantêm-se firme na terceira e quarta posição, mas já sofrem a concorrência próxima da Sipag. SumUp, que nem chegou a ser citada em 2016, aparece com 5% da preferência, mesma percentagem obtida pela Stone (antes com 0%).

Com isso, percebe-se que marcas alternativas estão batendo de frente com as tradicionais, principalmente no que diz respeito às empresas de menor porte.

Aumenta uso de cartão pré-pago e poupança

Ainda que a conta corrente continue a ser a forma mais escolhida (84% das respostas) para recebimento de saldo das vendas, dobrou a porcentagem de proprietários que usam o cartão pré-pago ou a poupança com esse objetivo.

O uso do pré-pago para saque do saldos das vendas (ou uso do mesmo para pagamento de compras e serviços) dobrou de 4% para 8%. A poupança foi ainda mais longe, sendo a favorita de 11% dos entrevistados – essa porcentagem era antes de 5%.

Quase a totalidade (98%) dos empreendedores afirmaram usar apenas uma dessas opções. Isso leva a crer que não se trata de uma opção, mas possivelmente da única alternativa ao alcance do proprietário em questão.

Forma de Recebimento dos Saldos

Conta Corrente

2018: 84%
2016: 93%

Cartão Pré-Pago

2018: 8%
2016: 4%

Conta Poupança

2018: 11%
2016: 5%

Fonte: Sebrae

Subiu também (de 20% para 29%) o número de pessoas que usam a conta pessoa física em vez de conta jurídica para receber saldo. Isso provavelmente deve-se à facilidade oferecida pelas empresas de máquinas de cartão, que costumam aceitar as duas opções.

Resultado é positivo

De um modo geral, observa-se uma mudança positiva no uso de máquina de cartão entre pequenos negócios no Brasil. O empreendedor iniciante já não se sente tão intimidado e busca alternativas para receber cartão de forma barata e segura.

A preocupação com as taxas e cartões aceitos mostra um entendimento dos fatores mais relevantes, e a aposta em novas marcas revela uma forte crença no setor. A possibilidade de usar cartão pré-pago, conta poupança, e conta pessoa física também contribuiu para facilitar a vida do pequeno empreendedor brasileiro.

Por outro lado, ainda há muito chão para andar. O número de empresas sem máquina de cartão permanece alto, e as razões não são necessariamente as melhores. É aguardar para ver se é só uma questão de tempo ou se parte dos empreendedores continuará sem oferecer essa alternativa de pagamento para seus clientes.